domingo, 20 de setembro de 2009

MENSAGEM DO SANTO PADRE
PARA O 46º DIA MUNDIAL DE ORAÇÃO PELAS VOCAÇÕES
3 DE MAIO DE 2009 - IV DOMINGO DE PÁSCOA


Tema: «A confiança na iniciativa de Deus e
a resposta humana»

Venerados irmãos no episcopado e no sacerdócio,
queridos irmãos e irmãs!

1. Por ocasião do próximo Dia Mundial de Oração pelas Vocações ao sacerdócio e à vida consagrada, que será celebrado no IV Domingo de Páscoa, dia 3 de Maio de 2009, desejo convidar todo o Povo de Deus a reflectir sobre o tema: A confiança na iniciativa de Deus e a resposta humana. Não cessa de ressoar na Igreja esta exortação de Jesus aos seus discípulos: «Rogai ao Senhor da messe que envie trabalhadores para a sua messe» (Mt 9, 38). Pedi! O premente apelo do Senhor põe em evidência que a oração pelas vocações deve ser contínua e confiante. De facto, só animada pela oração é que a comunidade cristã pode realmente «ter maior fé e esperança na iniciativa divina» (Exort. ap. pós-sinodal Sacramentum caritatis, 26).
2. A vocação ao sacerdócio e à vida consagrada constitui um dom divino especial, que se insere no vasto projeto de amor e salvação que Deus tem para cada pessoa e para a humanidade inteira. O apóstolo Paulo – que recordamos de modo particular durante este Ano Paulino comemorativo dos dois mil anos do seu nascimento –, ao escrever aos Efésios, afirma: «Bendito seja o Deus e Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, que, do alto dos céus, nos abençoou com toda a espécie de bênçãos espirituais em Cristo. Foi assim que n’Ele nos escolheu antes da constituição do mundo, para sermos santos e imaculados diante dos seus olhos» (Ef 1, 3-4). Dentro da vocação universal à santidade, sobressai a peculiar iniciativa de Deus ter escolhido alguns para seguirem mais de perto o seu Filho Jesus Cristo tornando-se seus ministros e testemunhas privilegiadas. O divino Mestre chamou pessoalmente os Apóstolos «para andarem com Ele e para os enviar a pregar, com o poder de expulsar demónios» (Mc 3, 14-15); eles, por sua vez, agregaram a si mesmos outros discípulos, fiéis colaboradores no ministério missionário. E assim no decorrer dos séculos, respondendo à vocação do Senhor e dóceis à ação do Espírito Santo, fileiras inumeráveis de presbíteros e pessoas consagradas puseram-se ao serviço total do Evangelho na Igreja. Dêmos graças ao Senhor, que continua hoje também a convocar trabalhadores para a sua vinha. Se é verdade que, em algumas regiões, se regista uma preocupante carência de presbíteros e que não faltam dificuldades e obstáculos no caminho da Igreja, sustenta-nos a certeza inabalável de que esta é guiada firmemente nas sendas do tempo rumo à realização definitiva do Reino por Ele, o Senhor, que livremente escolhe e convida a segui-Lo pessoas de qualquer cultura e idade, segundo os insondáveis desígnios do seu amor misericordioso.
3. Por conseguinte o nosso primeiro dever é manter viva, através de uma oração incessante, esta invocação da iniciativa divina nas famílias e nas paróquias, nos movimentos e nas associações empenhados no apostolado, nas comunidades religiosas e em todas as articulações da vida diocesana. Devemos rezar para que todo o povo cristão cresça na confiança em Deus, sabendo que o «Senhor da messe» não cessa de pedir a alguns que livremente disponibilizem a sua existência para colaborar mais intimamente com Ele na obra da salvação. Entretanto, por parte daqueles que são chamados, exige-se-lhes escuta atenta e prudente discernimento, generosa e pronta adesão ao projeto divino, sério aprofundamento do que é próprio da vocação sacerdotal e religiosa para lhe corresponder de modo responsável e convicto. A propósito, o Catecismo da Igreja Católica recorda que a livre iniciativa de Deus requer a resposta livre do ser humano. Uma resposta positiva que sempre pressupõe a aceitação e partilha do projeto que Deus tem para cada um; uma resposta que acolhe a iniciativa amorosa do Senhor e se torna, para quem é chamado, exigência moral vinculativa, homenagem de gratidão a Deus e cooperação total no plano que Ele prossegue na história (cf. n. 2062).
4. Ao contemplar o mistério eucarístico – onde se exprime sumamente o dom concedido livremente pelo Pai na Pessoa do Filho Unigénito pela salvação dos homens, e a disponibilidade plena e dócil de Cristo para beber completamente o «cálice» da vontade de Deus (cf. Mt 26, 39) – compreendemos melhor como «a confiança na iniciativa de Deus» molde e dê valor à «resposta humana». Na Eucaristia, dom perfeito que realiza o amoroso projeto da redenção do mundo, Jesus imola-Se livremente pela salvação da humanidade. «A Igreja – escreveu o meu amado predecessor João Paulo II – recebeu a Eucaristia de Cristo seu Senhor, não como um dom, embora precioso, entre muitos outros, mas como o dom por excelência, porque dom d’Ele mesmo, da sua Pessoa na humanidade sagrada, e também da sua obra de salvação» (Carta enc. Ecclesia de Eucharistia, 11).
5. Quem está destinado a perpetuar este mistério salvífico ao longo dos séculos, até ao regresso glorioso do Senhor, são os presbíteros, que podem precisamente contemplar em Cristo eucarístico o modelo exímio de um «diálogo vocacional» entre a livre iniciativa do Pai e a resposta confiante de Cristo. Na celebração eucarística, é o próprio Cristo que age naqueles que Ele escolhe como seus ministros; sustenta-os para que a sua resposta cresça numa dimensão de confiança e de gratidão que dissipe todo o medo, mesmo quando se faz mais intensa a experiência da própria fraqueza (cf. Rm 8, 26-30), ou o ambiente se torna mais hirto de incompreensão ou até de perseguição (cf. Rm 8, 35-39).
6. A consciência de sermos salvos pelo amor de Cristo, que cada Eucaristia alimenta nos crentes e de modo especial nos sacerdotes, não pode deixar de suscitar neles um confiante abandono a Cristo que deu a vida por nós. Deste modo, acreditar no Senhor e aceitar o seu dom leva a entregar-se a Ele com ânimo agradecido aderindo ao seu projeto salvífico. Se tal acontecer, o «vocacionado» de bom grado abandona tudo e entra na escola do divino Mestre; inicia-se então um fecundo diálogo entre Deus e a pessoa, um misterioso encontro entre o amor do Senhor que chama e a liberdade do ser humano que Lhe responde no amor, sentindo ressoar no seu espírito as palavras de Jesus: «Não fostes vós que Me escolhestes, fui Eu que vos escolhi e vos nomeei para irdes e dardes fruto, e o vosso fruto permanecer» (Jo 15, 16).
7. Este amoroso enlace entre a iniciativa divina e a resposta humana está presente também, de forma admirável, na vocação à vida consagrada. Recorda o Concílio Vaticano II: «Os conselhos evangélicos de castidade consagrada a Deus, de pobreza e de obediência, visto que fundados sobre a palavra e o exemplo de Cristo e recomendados pelos Apóstolos, pelos Padres, Doutores e Pastores da Igreja, são um dom divino, que a mesma Igreja recebeu do seu Senhor e com a sua graça sempre conserva» (Const. dogm. Lumen gentium, 43). Temos de novo aqui Jesus como o modelo exemplar de total e confiante adesão à vontade do Pai para onde deve olhar a pessoa consagrada. Atraídos por Ele muitos homens e mulheres, desde os primeiros séculos do cristianismo, abandonaram a família, os haveres, as riquezas materiais e tudo aquilo que humanamente é desejável, para seguir generosamente a Cristo e viver sem reservas o seu Evangelho, que se tornou para eles escola de radical santidade. Ainda hoje são muitos os que percorrem este itinerário exigente de perfeição evangélica, e realizam a sua vocação na profissão dos conselhos evangélicos. O testemunho destes nossos irmãos e irmãs, tanto nos mosteiros de vida contemplativa como nos institutos e nas congregações de vida apostólica, recorda ao povo de Deus «aquele mistério do Reino de Deus que já actua na história, mas aguarda a sua plena realização nos céus» (Exort. ap. pós-sinodal Vita consecrata, 1).
8. Quem pode considerar-se digno de ingressar no ministério sacerdotal? Quem pode abraçar a vida consagrada contando apenas com os seus recursos humanos? Mais uma vez convém reafirmar que a resposta da pessoa à vocação divina – sempre que se esteja consciente de que é Deus a tomar a iniciativa e é Ele também a levar a bom termo o seu projeto salvífico – não se reveste jamais do cálculo medroso do servo preguiçoso, que por medo escondeu na terra o talento que lhe fora confiado (cf. Mt 25, 14-30), mas exprime-se numa pronta adesão ao convite do Senhor, como fez Pedro quando, apesar de ter trabalhado toda a noite sem nada apanhar, não hesitou em lançar novamente as redes confiando na palavra d’Ele (cf. Lc 5, 5). Sem abdicar de forma alguma da responsabilidade pessoal, a resposta livre do homem a Deus torna-se assim «corresponsabilidade», responsabilidade em e com Cristo, em virtude da ação do seu Santo Espírito; faz-se comunhão com Aquele que nos torna capazes de dar muito fruto (cf. Jo 15, 5).
9. Emblemática resposta humana, repleta de confiança na iniciativa de Deus, é o «Amen» generoso e total da Virgem de Nazaré, pronunciado com humilde e decidida adesão aos desígnios do Altíssimo, que lhe foram comunicados pelo mensageiro celeste (cf. Lc 1, 38). O seu «sim» pronto permitiu-Lhe tornar-Se a Mãe de Deus, a Mãe do nosso Salvador. Maria, depois deste primeiro «fiat», teve de o repetir muitas outras vezes até ao momento culminante da crucifixão de Jesus, quando «estava junto à cruz», como refere o evangelista João, compartilhando o sofrimento atroz do seu Filho inocente. E foi precisamente da cruz que Jesus agonizante no-La deu como Mãe e a Ela nos entregou como filhos (cf. Jo 19, 26-27) – Mãe especialmente dos sacerdotes e das pessoas consagradas. A Ela quero confiar todos quantos sentem o chamamento de Deus para caminhar pela senda do sacerdócio ministerial ou da vida consagrada.
10. Queridos amigos, não desanimeis perante as dificuldades e as dúvidas; confiai em Deus e segui fielmente Jesus e sereis as testemunhas da alegria que brota da união íntima com Ele. À imitação da Virgem Maria, que as gerações proclamam bem-aventurada porque acreditou (cf. Lc 1, 48), empenhai-vos com toda a energia espiritual na realização do projeto salvífico do Pai celeste, cultivando no vosso coração, como Ela, a capacidade de maravilhar-se e adorar Aquele que tem o poder de fazer «grandes coisas», porque Santo é o seu nome (cf. Lc 1, 49).

Vaticano, 20 de Janeiro de 2009.



CONFERÊNCIA NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL
Comissão Episcopal Pastoral para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada
Pastoral Vocacional (PV) / Serviço de Animação Vocacional (SAV)


CMOVC/ SAV (02)
Maio de 2009


Pastoral Vocacional[1]

A Pastoral Vocacional, como parte integrante da vida da Igreja, é uma das suas preocupações fundamentais. Constitui, por isso, uma prioridade pastoral. “Um generoso empenho certamente há-de ser posto – sobretudo através de uma oração insistente ao Senhor da messe (cf. Mt 9,38) – na promoção das vocações ao sacerdócio e de especial consagração. Trata-se dum problema de grande importância para a vida da Igreja em todo o mundo”.

PRINCÍPIOS DA PASTORAL VOCACIONAL

Chamados à comunhão
A ação vocacional na pessoa só pode acontecer num dinamismo de aliança e de comunhão com Deus no amor. Consciente de que foi escolhido por Deus desde sempre, o indivíduo que é chamado deixa-se envolver na aventura da relação e do amor. Homem de Deus que faz uma experiência diária de comunhão e de diálogo com Deus, o chamado descobre os projetos de Deus, identifica-se com eles e aceita testemunhá-los no mundo. O amor de Deus que lhe enche o coração, compromete-o no amor aos irmãos. “É por isso que todos saberão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros” (Jo 13,35). A caridade é verdadeiramente o coração da Igreja, o amor é a chave de todas as vocações, no dizer de S. Teresa de Lisieux: “Compreendi que a Igreja tem um coração, um coração ardente de amor; compreendi que só o amor fazia atuar os membros da Igreja; compreendi que o amor encerra em si todas as vocações, que o amor é tudo”.
Falar da vocação e das vocações significa falar da realidade mais profunda da pessoa. Não se trata apenas de buscar a satisfação de um mero desejo pessoal ou de se sentir realizado em determinadas tarefas gratificantes. É um processo que se passa ao nível mais profundo da pessoa. O mais importante e decisivo é a resposta ao chamamento a seguir Jesus na Igreja e a continuar a sua missão no mundo, que pode levar à consagração total da pessoa. Qualquer tipo de vocação assumida nesta perspectiva, abre para um projeto belo e nobre de realização da pessoa humana nas suas mais profundas aspirações: no dom de si, na relação com os outros, na transformação da sociedade e do mundo, segundo o projeto salvífico de Deus.
A ação vocacional procede da decisão amorosa e maternal da Igreja de prestar o melhor serviço a todas e a cada uma das pessoas, para serem elas mesmas segundo o projeto de Deus, para descobrirem “o dom de Deus” e o Seu amor incondicional e único e para assumirem o serviço salvífico que devem prestar na Igreja e no mundo.
A ação vocacional tem como dever “premente e irrecusável anunciar e testemunhar o sentido cristão da vocação”, a boa notícia do chamamento. O povo cristão tem direito a escutar este “Evangelho da Vocação”.
A ação vocacional deve procurar atingir todas as pessoas, em todas as idades e ao longo de toda a vida. A pastoral vocacional não conhece fronteiras; dirige-se a todos e não apenas a algumas pessoas privilegiadas, porque todo o ser humano tem o desejo de conhecer o sentido da vida e do seu lugar na história; é uma proposta contínua que não acontece apenas uma vez na vida; não é só para jovens, pois o convite do Senhor a segui-lo dirige-se a todas as idades e a vocação considera-se plenamente realizada na hora da morte.
A ação vocacional acontece no mistério de Deus:
· parte do Mistério de Deus para reconduzir ao mistério do homem,
· parte da centralidade da Ressurreição de Cristo na vida da Igreja e na vocação para provocar a resposta da pessoa,
· parte do dinamismo radical da escatologia para captar os sinais do Espírito na história. Sem esta abertura ao mistério em sentido pleno, não existe vocação nem pastoral vocacional. A pessoa humana realiza-se vocacionalmente neste movimento que envolve toda a sua vida e que é o fundamento do caminho de discernimento vocacional.
Chamados a anunciar o Evangelho da Esperança
Toda a pastoral da Igreja tem o seu fundamento teológico na eclesiologia renovadora do Concílio Vaticano II, que define a Igreja como comunhão e missão. A comunhão encarna e manifesta a essência da Igreja.
“Promover uma espiritualidade de comunhão, elevando-a ao nível de princípio educativo em todos os lugares onde se plasma o homem e o cristão, onde se educam os ministros do altar, os consagrados, os agentes pastorais, onde se constroem as família e as comunidades…”, antes de quaisquer programas, iniciativas ou ações pastorais, é o grande desafio para todos os que procuram ser fiéis ao desígnio de Deus e corresponder às expectativas do mundo.
A pastoral das vocações, situa-se na compreensão da Igreja como comunhão e missão. Sendo assim, os vocacionados ao ministério dão continuidade ao serviço de Jesus, ungido pelo Espírito Santo, para levar a Boa Nova aos pobres, a luz aos que andam nas trevas, a liberdade aos que estão prisioneiros, a vida a todos os homens.
Toda a vocação na Igreja está ao serviço da santidade. Algumas, como a vocação ao ministério ordenado e à vida consagrada, fazem-no de modo singular. A vocação sacerdotal é essencialmente uma chamada à santidade na forma que nasce do Sacramento da Ordem. A santidade é intimidade com Deus, é imitação de Cristo pobre, casto e humilde; é amor sem reserva às almas e entrega pelo seu próprio bem; é amor à Igreja que é santa e nos quer santos, porque assim é a missão que Cristo lhe confiou. Cada um de vós deve ser santo também para ajudar os irmãos a seguir a sua vocação à santidade. A vida consagrada revela a íntima natureza de toda a vocação cristã à santidade e a tensão de toda a Igreja-Esposa para Cristo, seu único Esposo, apontando para o valor absoluto e escatológico da proposta de vida assumida.
A Igreja, chamada por Deus, constituída no mundo como comunidade de chamados, é, por sua vez instrumento do chamamento de Deus. A comunidade que toma consciência de ser chamada, ao mesmo tempo toma consciência de que deve chamar continuamente. Através e ao longo desse chamamento, nas suas várias formas, flui também o apelo que vem de Deus.
Neste sentido a Igreja é mãe das vocações, geradora e educadora de vocações: com a força do Espírito, faz nascer, protege e alimenta; procura que tenham uma adequada formação inicial e permanente, acompanhando-as ao longo do caminho.

ORIENTAÇÕES PARA A PASTORAL VOCACIONAL

Linhas de ações da Pastoral Vocacional
Uma cultura do chamamento
Comunidade de chamados, a Igreja chama. As novas condições históricas e culturais exigem que a pastoral das vocações seja vista como um dos objetivos primários de toda a comunidade cristã. Isto supõe e exige dar início a uma cultura do chamamento, ou seja, passar de uma atitude da espera e do acolhimento dos que se sentem chamados e se oferecem para as diversas vocações, especialmente para o sacerdócio ministerial e para a vida de especial consagração religiosa e secular, a uma pastoral da proposta direta, do convite e do chamamento pessoal.
A responsabilidade é de toda a Igreja
Todos e cada um dos membros da Igreja devem ser mediadores da proposta vocacional. Os Bispos e os Presbíteros têm um lugar especial nesta mediação que, de modo algum, se esgota neles. Por força da sua fé, o discípulo de Jesus deve tomar sobre si a vocação do outro. O ministério do apelo vocacional diz respeito a todo o cristão: aos pais, aos catequistas, aos educadores, aos professores, em especial os professores de Educação Moral e Religiosa Católica, e não apenas aos bispos, presbíteros e diáconos ou aos consagrados da vida religiosa e secular.
Do mesmo modo, o apelo vocacional, deve ser uma ação que envolve toda a comunidade nas suas diversas expressões: famílias cristãs, grupos, movimentos, paróquias, dioceses, institutos religiosos e seculares.
A ação vocacional é a categoria unificadora da pastoral em geral
Acolhendo os sinais da presença do Espírito na Igreja, trata-se antes de qualquer coisa de introduzir o anúncio vocacional nos sulcos da pastoral ordinária. O objetivo da pastoral e o critério de avaliação está nessa relação intrínseca com a dimensão vocacional.
A pastoral vocacional entende-se em íntima relação com as outras dimensões da pastoral (familiar e cultural, litúrgica e sacramental), com a catequese e as formas de catecumenato, com os vários grupos de animação e formação cristã, com os movimentos e, especialmente, com a pastoral juvenil. Em todo este processo terá um papel importante a solicitude dos pais cristãos.
Dom do Pai e situadas no plano do mistério que só Deus conhece e pode revelar, as vocações nascem e desenvolvem-se graças à mediação da Igreja orante. Na verdade, Deus ao prometer à sua Igreja pastores segundo o seu coração, também diz: “Rogai ao Senhor da messe que envie trabalhadores para a Sua messe” (Mt 9,38). Por isso, a oração, que empenha não apenas os indivíduos, mas também todas as comunidades eclesiais, é a base de toda a pastoral vocacional e é caminho para o discernimento vocacional.
A oração, em particular, a eucaristia e a adoração eucarística, possibilita o encontro profundo do orante com a pessoa de Jesus Cristo em toda a sua plenitude e a resposta ao seu chamamento, deixando tudo para segui-lo.
Redescobrir o acompanhamento espiritual pessoal.
Para cumprir a sua missão de guia de cada pessoa na descoberta da própria vocação, a ação vocacional deve empenhar-se na redescoberta da tradição do acompanhamento espiritual pessoal mediante o qual se visibiliza o acompanhamento do Mestre interior que é o Espírito, o grande animador de toda a vocação, Aquele que acompanha o caminho para que chegue à meta.
Viver a alegria da fidelidade à vocação
A ação vocacional deve ajudar a viver fielmente aqueles que foram chamados a uma determinada vocação. Insere-se no dinamismo de uma autêntica pastoral de fidelidade à própria vocação, que tem por base a dimensão testemunhal da vocação como caminho de felicidade no serviço da Igreja.
Fomentar as experiências do voluntariado
A ação vocacional deverá fomentar e apoiar as experiências do voluntariado como “pastoral do serviço” gratuito, especialmente aos mais pobres e necessitados, educando para o valor do sacrifício, da doação incondicional e gratuita, para o empenhamento desinteressado, para aceitar o convite a perder a vida. Deste modo, o voluntariado converter-se-á em caminho de compromissos progressivos que podem levar, de chamamento em chamamento, a decisões definitivas, até numa vocação de especial consagração.

Desafios à Pastoral Vocacional

Necessidade e urgência de uma estrutura global
Falando especificamente das vocações ao sacerdócio e de especial consagração, João Paulo II propõe esta orientação fundamental para o novo milênio: “é necessário e urgente estruturar uma vasta e capilar pastoral das vocações, que envolva as paróquias, os centros educativos, as famílias, suscitando uma reflexão mais atenta sobre os valores essenciais da vida, cuja síntese decisiva está na resposta que cada um é convidado a dar ao chamamento de Deus, especialmente quando este pede a total doação de si mesmo e das próprias forças à causa do Reino”.
A recente Exortação Apostólica Ecclesia in Europa fala da vocação como missão de toda a Igreja ao serviço do Evangelho da esperança: “Servir o Evangelho da esperança com uma caridade que evangeliza é obrigação e responsabilidade de todos. De fato, seja qual for o carisma e o ministério de cada um, a caridade é a estrada mestra apontada a todos e que todos podem percorrer: é a estrada que toda a comunidade eclesial é chamada a percorrer seguindo as pegadas do seu Mestre”.
Nova cultura vocacional
Promover uma cultura da vocação implica fomentar a cultura da vida e da abertura à vida, discernir o significado do viver e do morrer, incentivar a busca de sentido e o desejo da verdade, colocar as grandes perguntas que dão sentido pleno às pequenas respostas que provocam grandes decisões, como a opção pela fé. A penúria das “vocações específicas” tem a ver com a ausência de cultura da vocação, apoiada num modelo de homem sem vocação. Esta nova cultura vocacional, inerente a todo o crente e à comunidade cristã, abrange todo um conjunto de valores não muito emergentes na cultura atual: a gratidão, o acolhimento do mistério, a compreensão do homem como ser na sua finitude, a abertura ao transcendente, a disponibilidade em se deixar chamar pelos outros ou pelo Outro, a confiança em si próprio e no próximo, a liberdade de acolher responsavelmente o dom recebido.
“Salto de qualidade” na pastoral vocacional.
Este “salto de qualidade” significa a exigência de uma mudança radical, que tenta compreender a direção que Deus está a imprimir à nossa história:
· a pastoral das vocações como expressão da maternidade da Igreja, aberta ao plano de Deus que nela gera vida; a promoção de todas as vocações;
· a coragem de apresentar a todos o anúncio e a proposta vocacional;
· a atividade vocacional marcada pela esperança cristã, que nasce da fé e se projeta na novidade e no futuro de Deus;
· a certeza de que em toda a pessoa há um dom de Deus à espera de ser descoberto;
· o objetivo da promoção vocacional como serviço à pessoa para que saiba discernir o projeto de Deus na sua vida para a edificação da comunidade;
· a certeza de que Deus continua a chamar em toda a Igreja e em todo o lugar;
· a educação vocacional inspirada no método do acompanhamento;
· o animador vocacional como educador para a fé e formador de vocações, numa ação mais conjunta;
· a coragem do inconformismo e do questionamento, na busca de um novo impulso criativo e testemunhal;
· a vocação como realização profunda da pessoa, na resposta ao chamamento especial de Deus.

ESTRUTURAS PASTORAIS

A Igreja como comunidade de convocados deve manifestar em toda a sua ação vocacional a comunhão das diferentes vocações entre si e a preocupação por todas as vocações. Por isso, na direção, na orientação e nas atividades de todos os organismos e estruturas, a nível paroquial, diocesano e nacional, deverão estar representadas, na sua pluralidade, as vocações e ministérios eclesiais. Esta exigência não corresponde apenas a uma questão meramente organizativa, mas é manifestação e fruto do espírito novo que deve estar presente na pastoral vocacional da Igreja, que é o espírito de comunhão. “A crise vocacional é também crise de comunhão em promover e fazer crescer as vocações”. As vocações desenvolvem-se onde se vive um espírito autenticamente eclesial, numa Igreja como comunhão.
Dissemos que toda a ação pastoral tem uma dimensão vocacional. Nesse sentido, temos a tarefa de promover formas para que esse dinamismo vocacional se concretize nas nossas Igrejas particulares: “o Bispo há-de procurar que a pastoral juvenil e vocacional seja confiada a sacerdotes e outras pessoas capazes de transmitirem, com o entusiasmo e o exemplo da sua vida, o amor a Jesus. A sua missão será acompanhar os jovens, por meio duma relação pessoal de amizade e, se possível, de direção espiritual, para ajudá-los a identificarem os sinais de vocação de Deus e a buscarem a força para lhe corresponder na graça dos sacramentos e na vida de oração, que é primariamente uma escuta de Deus que fala”.
Nas dioceses e paróquias, famílias e centros educativos, movimentos e institutos de vida consagrada, é urgente e necessário que todos se envolvam nas estruturas da pastoral das vocações de uma maneira empenhada e interpeladora.

CONCLUSÃO

Vivemos um tempo de perplexidade e de esperança. No Espírito, somos interpelados a atitudes positivas de confiança. Deus não abandona o Seu Povo. Este será servido e a ele será anunciada a Boa Nova por instrumentos mediadores adaptados aos tempos. Os modos terão de ser diferentes; a atitude de chamamento e resposta não podem mudar, são algo de permanente. Deus escolhe e chama, o homem responde livremente a esse apelo.
O problema das vocações tem raízes profundas. As vocações específicas, sacerdotais e de especial consagração, precisam de um húmus apropriado. É preciso transformar a cultura, recuperar os valores, reencontrar o interesse pelas grandes questões da vida, retomar o sentido do mistério e do transcendente, ousar sonhar e ter ideais, cuidar da qualidade evangélica da vida cristã. É uma questão de vida da fé, que diz respeito a todos os cristãos.
Novas vocações surgirão na medida em que houver compromisso e testemunho da vocação batismal, comunidades eclesiais entusiasmadas com a presença do Ressuscitado e capazes de anunciar o Evangelho transformador da esperança.
Na proposta vocacional, procurem as nossas comunidades eclesiais ser mais entusiastas e entusiasmadoras, mais alegres e vivas, menos tímidas e mais arrojadas, mais corajosas e encorajadoras, mais otimistas e portadoras de esperança.
É hora de chamar com a audácia dos verdadeiros apóstolos. Também aqui é imperioso “fazer-se ao largo” numa mentalidade nova e com iniciativas diferentes.
É fundamental suscitar e acompanhar vocações à maneira de Jesus: semear, acreditando que é Deus quem semeia; acompanhar, fazendo caminho com aquele que é chamado à vocação; descobrir que Jesus faz caminho com aquele que se vê chamado; falar com clareza e exigência, apelando ao testemunho da radicalidade e à imitação de Cristo sem reservas; ajudar a tomar decisões e a comprometer-se; ajudar a descobrir critérios de discernimento vocacional.
O futuro da fé cristã passa pelo cuidado das vocações. Face à cultura dominante e à carência de seminaristas e de aspirantes à vida religiosa, a pastoral das vocações tem um papel determinante em suscitar, acompanhar e ajudar a discernir o serviço dos ministros ordenados e dos consagrados, numa Igreja que deseja anunciar, celebrar e servir o Evangelho da esperança.
A quantos têm dedicado o seu melhor entusiasmo a esta causa deixamos uma palavra de gratidão e apreço, certos de que o Senhor da messe os recompensará abundantemente.
Exortamos todos os fiéis, em particular os jovens, para que tenham o coração aberto ao chamamento do Senhor Jesus que convida a segui-lo, Ele que é Caminho, Verdade e Vida. Só Ele é sentido pleno para a vida. Que a procura de Deus na oração e a atenção aos sinais dos tempos sejam atitudes constantes que possibilitem o acolhimento dos apelos de Deus, como resposta à vocação e desafio à missão.
Exortamos todos os que aceitam o convite do Senhor a segui-Lo de maneira mais radical - presbíteros, diáconos e consagrados religiosos e seculares - a que vivam e atuem de forma coerente com a sua opção vocacional. Sejam testemunhas alegres e autênticas de Cristo Ressuscitado como única esperança para o mundo. Vivam em gratuidade total o amor e o serviço à causa do Reino.
Exortamos as famílias, os catequistas e os professores cristãos a que promovam uma autêntica cultura vocacional, ajudando os jovens a descobrir o projeto que Deus tem para cada um, cultivando a disponibilidade em fazer da vida um dom para a missão, motivando-os para o encontro pessoal com o Senhor. Encorajamos as famílias a viverem como verdadeiras “igrejas domésticas”, sendo espaços que possibilitem o surgir das diferentes vocações.
Que a Virgem Maria, a mulher orante que na escuta de Deus soube dizer sim, seja modelo de disponibilidade total para aqueles que aceitam o projeto de Deus e geradora de vocações ao serviço da Igreja para a vida do mundo.
[1] Guia da Pastoral Vocacional, Comissão Episcopal Pastoral para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada.

A SERVIÇO DA ANIMAÇÃO VOCACIONAL
SAV - NORTE II

Igarapé Miri, 15 de junho de 2009

HÁ ESPERANÇA NO CAMINHO !

“Ardia nosso coração quando Ele nos falava pelo caminho” ( Lc. 24,32).

Queridos irmãos(ãs) animadores(as) vocacionais de nossas Dioceses e Prelazias,
após um período de dois anos e meio fora de nosso SAV Regional, por motivo de transferência e outra missão volto agora com muita alegria a caminhar com vocês no nosso amado SAV. Pe. Nonato me repassou as dificuldades que teve em Coordenar neste tempo, pois morando em Cametá há 5 horas de viagem de Belém, além de assumir Seminário Menor e visita as Cebs, entre outros, isso causava muita dificuldade para ele; para completar deixou o Seminário Menor em dezembro de 2008 para assumir a Catedral de Cametá com suas mais de 70 CEBs e é Coordenador da Catequese a nível de Prelazia. Diante disso me procurou, já que estou morando só a 2 horas de Belém e ter mais condições de transporte e estradas para me locomover, e apresentando o caso senti sua preocupação e me coloquei a disposição. Pe. Nonato ficou animado e falou com Dom Esmeraldo sobre minha disposição. Em diálogo, Por telefone, com Dom Esmeraldo recebi dele a confirmação de poder trabalhar com vocês queridos irmãos(ãs) de caminhada na Animação Vocacional de nosso Regional. A partir daí comecei a entrar em contato com alguns membros da Equipe Executiva do SAV no Regional, muitos já não estão mais por aqui por motivo das transferências mas outros estão, vamos ter que reforçar nossa equipe executiva.
Quando conversei com Dom Esmeraldo era no período perto da Semana Santa, por isso esperei passar este tempo e o tempo Pascal para começar as atividades.
Os passos que já dei foram os seguintes:
Entrar em contato com a antiga Equipe Executiva do SAV Regional(quase todos);
Participei nos dias 08 e 09 de Junho, em São Paulo do Encontro dos Coordenadores Regionais do SAV com o Secretário Executivo da Comissão para os Ministérios e Vida Consagrada – CNBB Nacional, o Pe. Reginaldo.( com a graça de Deus pedindo para amigos padres e leigos que acreditam na importância do SAV consegui as passagens de ida e volta para São Paulo);
Precisamos dar novos passos, como:
Reforçar a Equipe executiva do SAV Norte II;
Ser mais presença, nas segundas feiras, na sala onde como SAV podemos atender na CNBB Regional;
Refazer os nossos contatos por telefone, cartas, e-mail.....;
Repassar o material do Encontro em São Paulo; ( Mês Vocacional 2009; 3º Congresso Vocacional Nacional, em 2010; 2º Congresso Latino Americano, em 2011;preparar os Congressos Vocacionais Diocesanos e Prelatícios....)
Fazer o cartaz , encontros e folder do mês vocacional e enviá-los para as dioceses e prelazias;
Marcar encontros por núcleos(Santarém, Marabá e Belém) para colocarmos nossas experiências em comum e reforçar nossa caminhada unidos em nosso Regional;
Precisamos caminhar juntos como SAV Regional Norte II;
Pois é, vamos em frente....sabemos que há muita esperança no caminho...com o coração ardendo nesta caminhada me despeço esperando respostas de vocês,

Em Cristo, um grande abraço,

Pe. João Thimóteo de Oliveira

(091) 3755-1156 ; 81398908 ; 91358845
pethim@hotmail.com ( é também endereço do MSN )
Pela Equipe Executiva do SAV Regional



A Amizade entre Jesus e o Presbítero

No sacramento da Ordem, estabelece-se um vínculo de intimidade entre Jesus Cristo e cada um dos presbíteros. Esse vínculo de amizade, respeitoso dos caracteres pessoais de cada presbítero, vai se desenvolvendo e fortalecendo progressivamente pela vida de oração e pela celebração dos sacramentos. O único e eterno Sacerdote é o ser humano por excelência. O evangelista João pôs na boca de Pilatos esta revelação: “Eis o homem” (Jo 19,5). Em Cristo todos podem se espelhar, para encontrarem sua verdadeira identidade. O Concílio Vaticano II diz na constituição pastoral Gaudium et Spes: “Só no mistério do Verbo encarnado se esclarece verdadeiramente o mistério do homem” (GS 22). Também se poderia dizer: só no mistério de Cristo Sacerdote se esclarece o mistério de todo presbítero.
Em Cristo todos os presbíteros podem se encontrar a si mesmos e uns aos outros, num relacionamento de amizade e colegialidade. A amizade pelo Mestre fará com que cada presbítero se sinta amigo de todos os presbíteros. No decreto Presbyterorum Ordinis sobre a vida e a missão dos presbíteros, o Vaticano II diz: “Os presbíteros, elevados ao presbiterato pela ordenação, estão unidos entre si numa íntima fraternidade sacramental. Especialmente na diocese (...), formam um só presbitério. Embora ocupados em diferentes obras, exercem o mesmo ministério sacerdotal a favor dos homens. Todos são enviados para cooperarem na obra comum, quer exerçam o ministério paroquial ou supraparoquial, quer se dediquem à investigação científica ou ao ensino, quer se ocupem de trabalhos manuais compartilhando a sorte dos operários, onde isso pareça conveniente e a competente autoridade o aprove, quer realizem qualquer outra obra apostólica ou orientada ao apostolado. Todos têm uma só finalidade, isto é, a edificação do Corpo de Cristo que especialmente em nossos dias, requer múltiplas atividades e novas adaptações” (PO 8).

Para além do pecado
A amizade que existe entre Cristo e cada presbítero e entre os presbíteros independe da santidade humana. A graça se realiza pelo sacramento administrado. É pelo sacramento da Ordem, que em verdade é um dom de Deus para a Igreja através da escolha e ordenação de um servidor, que se realiza a graça. A teologia tradicional sobre os sacramentos diz que a graça se realiza ex opere operato. Quer dizer: quando são dados todos os elementos sacramentais – as palavras e os gestos, segundo a intenção da Igreja – acontece a graça. Ela não depende da santidade humana, mas da pura vontade de Deus. É fruto da gratuidade divina, que quer salvar os seres humanos pela intermediação de outros.
O Mediador é um só: Jesus Cristo. Mas a mediação do único e sumo e eterno Sacerdote realiza-se pela intermediação de inúmeros agentes. Entre estes estão os presbíteros. Homens marcados pelos limites próprios da natureza humana e também pelo pecado. Mesmo assim – e aqui está a bondade escandalosa de Deus – neles e através deles a graça da salvação se realiza em favor dos irmãos. Não interessa se a placa de sinalização está colocada sobre um pau podre ou um poste enferrujado. O que interessa é o sinal. Assim, cada presbítero, independentemente de sua santidade ou de seu pecado, foi escolhido para ser amigo de Cristo e agente de sua salvação.

Uma estrutura de graça
É óbvio que isso não justifica o pecado humano. Tanto mais quando se trata de alguém que foi chamado a uma especial relação de amizade com o Senhor. Seu pecado é tanto mais escandaloso, quanto mais deveria pôr-se à frente dos fieis como sinal de salvação. Vale aqui o que disse Jesus daqueles que provocam escândalos, que levam os outros a pecar: “Melhor seria se lhe amarrassem ao pescoço uma pedra de moinho e o lançassem no fundo do mar” (Mt 18,6).
Estamos diante do mistério da iniquidade e do mistério da graça. Se grande é a capacidade humana para o pecado, para a divisão e o escândalo, bem maior é a graça de Deus. “Onde se multiplicou o pecado, a graça transbordou” (Rm 5,20). No que depende de Deus, antes e mais que sermos pecadores, somos criados no seu amor. Mais profundamente que o pecado original, habita em nós a graça original, a bondade radical. Vivemos numa estrutura de graça que costura todas as relações humanas. Uma estrutura de graça que se faz ainda mais densa e intensa no Corpo de Cristo que é a Igreja. Uma estrutura de graça que – poderíamos afirmar – se faz ainda mais firme e segura na união de amizade entre Cristo e os presbíteros, que, no Corpo de Cristo, fazem as vezes de Cristo-Cabeça.

A graça supõe e aperfeiçoa a natureza
Os presbíteros, portanto, por uma graça especial, vivem unidos a Cristo, Cabeça da Igreja. E, por meio dele, vivem unidos entre si. Numa união de amizade e solidariedade que vai além dos laços visíveis das relações humanas. Que supera, até, a mesquinhez do egoísmo e do orgulho humano. Trata-se de graça, gratuidade. Nesse sentido, é dom imerecido. Por isso mesmo, um dom que precisa ser acolhido com gratidão e abertura de coração. A graça supõe e aperfeiçoa a natureza. É preciso, pois, que a natureza humana seja trabalhada pela oração e o estudo, pela ascese e o zelo apostólico. A fim de que, na relação misteriosa entre Cristo e os presbíteros, vá crescendo a santidade desses homens chamados a tão grande ministério.
Sugiro aos leitores que neste mês orem para que os presbíteros de seu mundo de relacionamentos sejam homens de oração, amigos de Jesus, verdadeiramente apaixonados por seu Mestre e Senhor.

*Pe. Vitor Galdino Feller
Diretor e professor de teologia no ITESC - Instituto Teológico de Santa Catarina.
ORAÇÃO PARA O ANO SACERDOTAL
Senhor Jesus,Vós quisestes dar a Igreja, em São João Maria Vianney, uma imagem vivente e uma personificação da caridade pastoral.Ajudai-nos a viver bem este Ano Sacerdotal, em sua companhia e com o seu exemplo.Fazei que, a exemplo do Santo Cura D’Ars, possamos aprender como estar felizes e com dignidade diante do Santíssimo Sacramento, como seja simples e quotidiana a vossa Palavra que nos ensina, como seja terno o amor com o qual acolheu os pecadores arrependidos, como seja consolador o abandono confiante à vossa Santíssima Mãe Imaculada e como seja necessária a luta vigilante e fiel contra o Maligno.Fazei, ó Senhor Jesus que, com o exemplo do Cura D’Ars, os nossos jovens possam sempre mais aprender o quanto seja necessário, humilde e glorioso, o ministério sacerdotal que quereis confiar àqueles que se abrem ao vosso chamado.Fazei que também em nossas comunidades, tal como aconteceu em Ars, se realizem as mesmas maravilhas de graça que fazeis acontecer quando um sacerdote sabe “colocar amor na sua paróquia”.Fazei que as nossas famílias cristãs saibam descobrir na Igreja a própria casa, na qual os vossos ministros possam ser sempre encontrados, e saibam fazê-la bela como uma igreja.Fazei que a caridade dos nossos pastores anime e acenda a caridade de todos os fiéis, de tal modo que todos os carismas, doados pelo Espírito Santo, possam ser acolhidos e valorizados.Mas, sobretudo, ó Senhor Jesus, concedei-nos o ardor e a verdade do coração, para que possamos dirigir-nos ao vosso Pai Celeste, fazendo nossas as mesmas palavras de São João Maria Vianney:Eu Vos amo, meu Deus, e o meu único desejo é amar-Vos até o último suspiro da minha vida.Eu Vos amo, Deus infinitamente amável, e prefiro morrer amando-Vos a viver um só instante sem Vos amar.Eu Vos amo, Senhor, e a única graça que Vos peço é a de amar-Vos eternamente.Eu Vos amo, meu Deus, e desejo o céu para ter a felicidade de Vos amar perfeitamente.Eu Vos amo, meu Deus infinitamente bom, e temo o inferno porque lá não haverá nunca a consolação de Vos amar.Meu Deus, se a minha língua não Vos pode dizer a todo o momento que Vos amo, quero que o meu coração Vo-lo repita cada vez que respiro.Meu Deus, concedei-me a graça de sofrer amando-Vos e de Vos amar sofrendo.Eu Vos amo, meu divino Salvador, porque fostes crucificado por mim e porque me tendes aqui em baixo crucificado por Vós.Meu Deus, concedei-me a graça de morrer amando-Vos e de saber que Vos amo.Meu Deus, à medida que me aproximo do meu fim, concedei-me a graça de aumentar e aperfeiçoar o meu amor.Amém.S. João Maria Vianney